Blog interativo que trata de assuntos ligados à mídia, ao cotidiano e diversas outras áreas da sociedade.

20/12/2020

Os Direitos sexuais e reprodutivos das pessoas com deficiência

 


No último encontro do ano, em 17/12/2020, tivemos aula expositiva e dialógica com a participação de Maristela Lugon Arantes. Maristela é Doutoranda do programa de pós-graduação em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, Mestre em Direito em garantias fundamentais pela FDV, além de Advogada. 

Três textos foram postados para leitura prévia:
- Da capacidade das pessoas com deficiência intelectual à luz da vulnerabilidade social e o Instituto da tomada de decisão apoiada (Mariana Frizzera e Cristina Pazó);
- Gênero e deficiência: interseções e perspectivas (Anahi Melo e Adriano Nuernberg);
- O que é deficiência (Débora Diniz).

Link para acesso aos textos:

A convidada trouxe para o diálogo uma questão importante na sociedade, que é a deficiência. Trata-se de um tema bastante relevante para debate, tendo em vista as diversas visões erradas e preconceituosas que boa parte das pessoas possuem em relação às pessoas com deficiência. Maristela mostrou que há 3 (três) tipos de modelos conceituais da deficiência:
- Modelo religioso: entende a deficiência como castigo divino;
- Modelo médico-reabilitador: deficiência como patologia e a busca para compensá-la;
- Modelo biopsicossocial: tendência atual, articula fatores sociais, biológicos e psicológicos. Reconhece a complexidade frente à deficiência.

A apresentação da convidada foi muito rica, pois abordou um tema bastante delicado em nossa sociedade. A deficiência traz a visão de limitação, mas percebemos que em muitas oportunidades a própria sociedade limita determinadas pessoas, não proporcionando acessibilidade e igualdade de oportunidades àqueles que possuem algum tipo de deficiência. Falta equidade, falta respeito, e, principalmente, falta empatia em relação às pessoas com deficiência. 

No Brasil foi criado o Estatuto da pessoa com deficiência, representado através da Lei 13.146/2015. Em seu artigo 1º - caput, está escrito que:
Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de inclusão da pessoa com deficiência (Estatuto da pessoa com deficiência), destinada a assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e da liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.

Maristela citou um termo pouco conhecido chamado de "capacitismo". Para entender melhor esse termo ela trouxe o seguinte conceito:
"O capacitismo se manifesta todos os dias de diferentes maneiras: quando você usa um banheiro para pessoas com necessidades especiais ou quando questiona a necessidade de que um banheiro especial seja instalado em uma empresa ou mesmo espaço público; quando diz ao colega (que você sabe ser portador de alguma deficiência) que ele parece bem; ou ainda quando admira as pessoas com deficiência que vivem a vida como se fossem "normais". Independente da forma como essas ações se manifestam, todas elas ferem os outros."
Para entender ainda mais o termo, foi disponibilizado um vídeo de Caroline Borges. Ela fala sobre o capacitismo e alerta para atitudes que caracterizam uma pessoa como capacitista sem que ela nem saiba/perceba. O vídeo está disponível no link abaixo:
 
Esse último encontro fechou com chave de ouro as aulas - no ano de 2020 - do componente Gênero, Direitos reprodutivos e direitos sexuais no Brasil. Ao longo do quadrimestre fomos presenteados com aulas excelentes. Todos os temas abordados foram bastante enriquecedores, trazendo reflexões e entendimento em relação a termos e situações do dia a dia, esclarecendo conceitos e debatendo situações do cotidiano que escancaram preconceitos enraizados na sociedade.

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12/12/2020

Machismo estrutural


O encontro de 10/12/2020 trouxe uma aula expositiva e dialógica com a presença de Ana Gabriela Rangel Poncio. Ela é Coordenadora e docente do Curso de Direito na Faculdade Multivix. Coordenadora do Centro de estudo em gênero (CEG), desenvolvido na Faculdade Multivix Serra. É Mestra em Direitos e garantias fundamentais e Direitos pela FDV. Ana Gabriela é graduada em Direito pela FDV, além de ser Advogada.


Alguns textos foram disponibilizados para leitura prévia: 

- O poder do macho (Heleieth Saffioti);

- Minha história das mulheres (Michelle Perrot);

- A condição humana (Hannah Arendt);

- Gênero, o público e o privado (Susan Okin). 


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1IZyHJt-5uhorDPk6Wdiwd98O_30CATpS?usp=sharing


Ana Gabriela abordou a história da dominação masculina, o contexto histórico do machismo estrutural e toda a imagem criada a respeito da mulher, a qual sempre foi objeto de sensualidade, enquanto o homem sempre foi visto como símbolo de trabalho. A apresentação trouxe diversos temas que, ao longo da história, fizeram parte de toda a formação da imagem da mulher. Feitiçaria, bruxarias, demônios, pecado, ódio, são palavras que fizeram parte do cotidiano das mulheres na Idade Média, onde eram julgadas, castigadas e mortas através de interpretações erradas feitas pela sociedade daquela época.

A Docente citou ainda temas importantes como estupro e assédio contra a mulher, evidenciando momentos em que apenas o estupro coletivo era passível de julgamento. Algumas propagandas foram mostradas durante a apresentação, as quais traziam caricaturas/imagens femininas que evidenciavam peças publicitárias agressivas, que deslumbravam o produto através da dominação masculina frente à mulher. 

Ela trouxe uma música de Chico Buarque, chamada Umas e outras, para reflexão e análise. Link da música (com letra): https://www.youtube.com/watch?v=Q0P0I9Ejx9A 

Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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Crime e gênero


Agora vamos falar do encontro de 03/12/2020, o qual teve participação de Luiz Felippe Bragança Petri,  Especialista em Direito penal e criminologia pelo Instituto de Criminologia e política criminal. É Bacharel em Direito pela FDV e também é advogado. A aula expositiva e dialógica teve como tema a "Abordagem contemporânea da criminologia crítica sobre gênero. Políticas públicas e jurídicas sobre crime e gênero no Brasil e no mundo atual". 

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram: 
- Gênero, patriarcado e violência (Heleieth Saffioti);
- A questão criminal (Eugenio Zaffaroni);
- O sistema prisional brasileiro e a dignidade das pessoas transexuais, travestis e transgêneros: um estudo de caso do Habeas Corpus N} 497.226/RS (Emerson Mendes e Cristina Pazó);
- Recurso Especial Nº 154.857 DF (97.00812808-10)

Link para acesso aos textos:

Luiz Felippe trouxe assuntos ligados ao crime e à mulher, citando algumas épocas e evidenciando exemplos que caracterizavam o Estado Americano em relação a crimes, destacando como a Justiça criminal agia mediante a eles. Ele fez abordagens que envolvem as temáticas de crime, Estado, mulher, mulher negra, "sex offender" - o criminoso sexual , trazendo como base a autora Angela Davis. A turma teve acesso a relatos de situações que costumam ocorrer nas situações das temáticas citadas anteriormente, obtendo exemplos do Estado americano e percebendo seu modo de ver e agir juridicamente frente determinadas condutas ilícitas.

Logo após tivemos a participação de Emerson Mendes, Discente do curso de bacharelado em Direito pela UFSB. Emerson é Pós-graduando em Direito e processo penal pela Faculdade União das Américas (UniAmérica), Especialista em gênero e sexualidade na educação pela Universidade Federal da Bahia (UFBA - 2020), e Bacharel Interdisciplinar em Humanidades pela UFSB (2018).

Emerson trouxe em sua apresentação um pouco de seu trabalho de estudo relacionado à temática de transexuais no conjunto penal brasileiro, analisando como o Estado tutela as condutas delituosas dessa parte da população - LGBT.
Ocorreu também a presença do professor Fábio Bozza, da UFSB. Ele destacou a exposição feita pelos dois participantes do encontro e acrescentou importantes tópicos sobre essa população vulnerabilizada, que é a população LGBT.

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Gênero, consumo e identidade das mulheres


Partindo agora para as análises do encontro de 26/11/2020, o qual teve o tema Consumo e gênero: corpo e cirurgias plásticas na construção de identidade das mulheres brasileiras na sociedade de consumo. A aula expositiva e dialógica contou com a presença de Mariana Paiva Frizzera, Doutoranda em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, Mestranda em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, graduada em Direito pela FDV e também advogada.

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram:

- Erotismo e beleza do corpo feminino objetificado: a publicidade de lingerie na construção das identidades das mulheres na história (Cristina Pazó e Mariana Frizzera);

- O corpo feminino como capital e o mercado da moda: Espaço de produção de vulnerabilidade e de identidades.


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1xgrK2OoKHPpl5jsVfyuTzWkGa_nVhGnm?usp=sharing


O termo "padrão de beleza" foi bastante debatido nesse encontro. A questão de ser feliz e estar bem apenas quando o corpo estiver "de acordo com o padrão exigido" pela sociedade foi tema de reflexão. Mariana trouxe algumas propagandas comerciais que reforçam esse padrão a ser seguido, esse padrão que é mostrado e que determina como o corpo ideal deve ser, de acordo com a cultura de consumo. A imagem da mulher sempre associada a consumo e beleza. O consumo é colocado como um pertencimento social.

Foi mostrado o trecho de uma entrevista no Programa Café filosófico, que discutia a importância do corpo e o significado do envelhecimento na cultura brasileira. O link para a entrevista completa está logo a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=Y1pKq4QfZN0


A seguir, Mariana mostrou dados interessantes sobre cirurgia plástica feminina e apresentou dados relativos à uma análise feita de um questionário sobre consumo e beleza. O questionário envolvia perguntas sobre beleza e estética, trazendo informações sobre a visão das mulheres sobre esses temas e como eles fazem parte do cotidiano delas.

Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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A dominação masculina, o patriarcado e a apropriação Estatal de conflitos

 


O encontro de 19/11/2020 trouxe como tema "A dominação masculina, o patriarcado e a apropriação Estatal de conflitos:  contribuições da Justiça restaurativa aos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher". Tivemos como convidada Renata Bravo, Mestre em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, tem especialização em Direito penal e processo penal, é Assessora no Ministério Público e também dá aulas na Multivix.

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram:

- Entre punições e alternativas: a justiça restaurativa como uma possibilidade ao enfrentamento da violência doméstica;

- A dominação masculina.


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1VBKpSnDp2NWaIiaHH0EEHHOykyHmZNoB?usp=sharing


Renata abordou com bastante ênfase a questão do patriarcado existente na sociedade, a influência dessa sociedade patriarcal nas atitudes, nos atos, nas situações que ocorrem no dia a dia e que evidenciam preconceito, além de destacar a inferioridade feminina baseada na dominação masculina. Trouxe tópicos muito importantes que envolvem a mulher e que deixam claro a violência constante que ela sofre. A violência contra a mulher - incluindo violência doméstica, o feminicídio, a exploração e a "força-tarefa" existente para que a mulher continue num estado de inferioridade e submissão.


Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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HIV e infecções sexualmente transmissíveis

 

O encontro de 12/11/2020 trouxe a participação de Carlos Fernando Poltroniere Prata,  Mestrando em Direitos e garantias fundamentais pela FDV, graduado em Direito na FDV e advogado. 

Os textos disponibilizados para leitura prévia foram: 

- Pesquisa de conhecimentos, atitudes e práticas na população brasileira (Ministério da Saúde);

- Transmissão consentida do vírus HIV. Análise acerca da responsabilidade penal do agente (Carlos Prata, Cristina Pazó e Daniel Duarte).


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1GQ38PdyDpU_6QOupEMQ0e6RDlCXy2QDT?usp=sharing


O convidado abordou a temática sexual, desmistificando tabus e esclarecendo dúvidas em relação à saúde sexual, à sexualidade e mostrou dados referentes à sua pesquisa sobre Direito à sexualidade. Carlos Fernando apresentou o histórico do comportamento sexual "desviante", passando pelas doenças dos 5Hs: homossexuais, hemofílicos, hiatianos, heroinôma e  hookers. 

Ele trouxe ainda a atuação do Estado mediante portadores de doenças sexualmente transmissíveis, além da aplicação de métodos de tratamento para casos em que ocorram relações sexuais sem proteção ou acidentes ocupacionais que deixem pessoas vulneráveis ao HIV. Alguns exemplos citados foram o PEP - Profilaxia Pós-exposição ao HIV e o PrEP - Profilaxia Pré-exposição.

O convidado falou ainda sobre Direitos reprodutivos de pessoas que convivem com o HIV; sobre o Direito à liberdade de orientação sexual; sobre transmissão consentida do vírus HIV; relação Direito penal e HIV.

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11/12/2020

Abordagens interdisciplinares de gênero

 


O encontro de 29/10/2020 trouxe o tema: Abordagens interdisciplinares de gênero: A contribuição da antropologia; e bolsa família e estereótipo de gênero. Dois textos foram disponibilizados para leitura prévia:

- Interfaces e deslocamentos: feminismos, direitos, sexualidades e antropologia (Lia Zanotta Machado);
- Bolsa família, autonomia feminina e equidade de gênero: O que indicam as pesquisas nacionais? (Letícia Bartholo, Luana Passos e Natália Fontoura).


Link para acesso aos textos:



A aula foi dividida em duas partes. Na 1ª parte a professora Cristina Pazó trouxe uma apresentação (figura acima) sobre o assunto Patriarcado, expondo a supremacia masculina dentro da família. A professora abordou alguns acontecimentos históricos, como a Primeira onda do feminismo, o Movimento sufragista no Brasil, a segunda e terceira ondas do feminismo, além de evidenciar dois conceitos de relação de gênero: o conceito "binário" e o "não-binário". No conceito binário citou que "os desequilíbrios de gênero se refletem nas leis, políticas e práticas sociais, assim como as identidades, atitudes e comportamentos das pessoas. Os atributos e papeis relacionados ao gênero não são determinados pelo sexo biológico. Eles são construídos histórica e socialmente e podem ser transformados." Já sobre o conceito "não-binário", a professora mencionou uma fala da autora Butler, que diz que "o corpo biológico tanto produz sexo e gênero, quanto é ele mesmo produzido pela saturação dessas categorias." 

Também foi exposto um pouco da Legislação no Brasil, ressaltando questões como patriarcado, divórcio, concubinato, através do Código Civil de 1916 e de leis como a Lei 4.121/1962 (Estatuto da mulher casada), a Lei 8.971/1994 (Lei do concubinato) e a Lei 6.515/1977 que traz o tema direito ao divórcio. No final da sua apresentação a professora Pazó trouxe a imagem do "biscoito sexual" (figura abaixo),  que auxilia didaticamente a pensar e entender as categorias sexuais.



A segunda parte da aula brindou toda a turma com as apresentações de colegas nossos da graduação. Primeiro houve uma aula expositiva e dialógica apresentada por Nicholas Lula Dias Ralile, Bacharel Interdisciplinar em Humanidades pela UFSB e graduando em Direito pela mesma Universidade. Nicholas abordou a contribuição da antropologia para a análise do tema gênero e sexo, trazendo um pouco da posição da antropologia feminista, a linguagem do Direito em relação às diferentes concepções de gênero e sexualidade, além de outros tópicos acerca de tais questões. 



Logo em seguida tivemos a apresentação de uma pesquisa realizada por Maria Thayná Severino de Souza e Tracy Cristiane Soares dos Santos, bacharelas interdisciplinar em humanidades pela UFSB e graduandas em Direito pela UFSB, orientadas pela professora Cristina Pazó. Tracy Cristiane fez a explanação do trabalho realizado, o qual abordou o tema: Bolsa família e o estereótipo de gênero. O trabalho trouxe uma "Análise à luz do programa bolsa família no município de Porto Seguro", mostrando resultados obtidos através de entrevistas feitas a algumas famílias dessa cidade.  

Ao final da aula houve tempo para o joguinho de perguntas e respostas Kahoots (jogo online), valendo 0,5 ponto pela participação e um prêmio para o vencedor.

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Feminismo negro

 


No segundo encontro, realizado em 22/10/2020, o tema foi: Feminismo negro - Epistemologias, ativismos e (re)existência das mulheres negras no Brasil. A turma teve a oportunidade de assistir uma aula expositiva e dialógica sobre o tema, apresentada pela professora e advogada Ceila Sales de Almeida. 

Três textos foram foram disponibilizados para leitura prévia:

- Feminismo negro:  A interconexão entre gênero e raça nos estudos acadêmicos no Brasil (Cristina Pazó e Ceila Almeida);

- Enegrecer o feminismo: A situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero (Sueli Carneiro);

- Racismo e sexismo na cultura brasileira (Lélia Gonzales).


Link para acesso aos textos:

https://drive.google.com/drive/folders/1zMOMVxsFsBynwG9hW4CNsM7xAUhNOHJ2?usp=sharing


Para o encontro de 29/10/2020 foi programada a realização de uma atividade programada, realizada através de questões colocadas no google forms. Ainda pra esse encontro foi disponibilizada uma entrevista feita com Djamila Ribeiro, ativista e mestre em filosofia política. O vídeo pode ser visualizado no Youtube através do link https://www.youtube.com/watch?v=0k1mh7N8Caw&ab_channel=NexoJornal


Djamila fala sobre lugar de fala, enfatiza como o racismo - e o modo de se debater o racismo - é visto de forma diferente quando os lugares de fala são distintos. Por exemplo, o racismo visto através do lugar de fala do branco não é o mesmo daquele que é analisado a partir do lugar de fala do negro. A ativista traz ainda a ideia de que é preciso debater o racismo tendo a consciência de que em todos os ambientes ele está presente. Ela enfatiza que no Brasil parece que o racismo é um crime perfeito, e que quando uma pessoa luta para mudar um cenário onde o racismo estrutural está atuando, a impressão que se tem é que essa pessoa passa a ser vista como algoz, como inimiga - como se ela estivesse errada.
O vídeo traz em poucos minutos diversas reflexões interessantes sobre o racismo e toda essa abordagem de questão racial, também a desigualdade e o lugar de fala da população negra. Djamila relata várias questões raciais existentes em nosso cotidiano, as quais escancaram um racismo bastante enraizado e impregnado na sociedade.

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10/12/2020

Diário de bordo


Saudações!

Novamente retorno com as postagens. Agora, as atualizações se voltam para conteúdos referentes a temas abordados no componente curricular "Gênero, direitos reprodutivos e direitos sexuais no Brasil atual". Esse componente faz parte do curso de Direito da Universidade Federal do Sul da Bahia - UFSB. O objetivo aqui é criar um diário de bordo que trará, ao longo das postagens, um pouco do que foi exposto em cada um dos encontros no decorrer do quadrimestre.  
A cada semana, um novo tema foi objeto de estudos e debates através de vídeos, textos, apresentações e jogos interativos com questões relacionadas ao tema da aula. Durante todo o quadrimestre a professora Cristina Pazó trouxe palestrantes convidados por ela, os quais enriqueceram os encontros com muita didática através de excelentes palestras. 

No primeiro encontro, para a aula de abertura em 15/10/2020, houve a apresentação da docente, dos discentes e do monitor, além da discussão do PEA (Plano de Ensino-aprendizagem) elaborado para o componente curricular (CC). O tema principal do encontro foi: Gênero. Três textos foram disponibilizados para leitura prévia, sendo dois deles da professora Guacira Lopes Louro. O outro texto foi da historiadora Joan Scott. Também foi exibido o documentário Fronteiras do Gênero. Por fim, foi realizada uma atividade diagnóstica de conceitos estruturantes de gênero.


Os textos disponibilizados para a aula foram:

- Gênero, sexualidade e educação (Guacira Lopes Louro);
- Gênero e sexualidade: Pedagogias contemporâneas (Guacira Lopes Louro);
- Gênero: Uma categoria útil de análise histórica (Joan Scott).

Link para acesso aos textos:

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18/08/2018

Analisando um território

A análise de territórios é uma atividade interessante. Nos leva à reflexão sobre modos de vida e relações de interação e de conflito entre as pessoas. Nos faz ver que diversos fatores surgem quando passamos a nos atentar ao que se passa ao nosso redor. É o olhar etnográfico de determinado local, determinado espaço, onde podemos observar as relações sociais entre os indivíduos. Na foto acima vemos o parquinho localizando dentro da Praça Otávio Mangabeira, em Itabuna, também conhecida como Praça Camacan. É uma praça antiga, bastante conhecida e bem movimentada, localizada bem no centro da cidade. 
A Praça Camacan agrega diversos espaços de entretenimento e comércio. Um desses espaços é o parquinho, onde sua delimitação espacial é demarcada por um alambrado que envolve todo local destinado às crianças, deixando claro que do alambrado pra dentro é o espaço de diversão dos menores.
Um dos indicativos de marcação de território está na placa fixada na entrada do parquinho (foto ao lado direito), onde se deixa claro que alí é um local onde a diversão é proibida aos adultos, sendo um privilégio das crianças. Dentro deste território, um olhar etnográfico faz surgir diversos dados e informações que por vezes passam despercebidos ao olhos de muitos. O local, onde se acomodam estranhos entre estranhos, apresenta relações de interação, ainda que de forma momentânea ou em um curto espaço de tempo. E, apesar de ser um espaço para diversão, há também momentos em que há o conflito, há a relação dominante-dominado, do poder do mais forte sobre o mais fraco. Tudo isso se dá dentro de um território que, dentro da cidade, funciona como uma rede de interações, onde todos chegam com um desejo e um laço comum: a diversão.

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26/07/2018

Um mundo de muros





A aula do dia 19/07/18 trouxe a oportunidade da realização de debates em torno do Especial da TV Folha, denominado UM MUNDO DE MUROS, onde diversos vídeos trazem a questão da construção de muros para separar nações. Num desses vídeos ocorre a exibição da situação existente na fronteira entre o Quênia e a Somália. O vídeo relata a situação de imigrantes que fogem da Somália rumo ao Quênia. A seca e a dificuldade de se ter uma vida digna num país falido e arrasado fazem com que a população da Somália busque no país vizinho um fio de esperança. Por outro lado, o Quênia se vê preocupado com a constante entrada de imigrantes em seu território. Então surge a ideia de se criar uma barreira (uma cerca) na fronteira entre os dois países, com o intuito de impedir que o Quênia continue recebendo imigrantes. Um dos argumentos relatados para respaldar tal decisão é de que terroristas do grupo Al Shabaab - ligado ao grupo Al Qaeda - estariam se infiltrando nos campos de refugiados e arquitetando ataques no território do Quênia. 
A partir do vídeo, foi aberto o momento para debate em sala de aula, onde os alunos tiveram que expor fatores que justificassem a criação do muro, bem como fatores que condenassem a barreira. Embora cada vídeo evidencie a peculiaridade de cada região e a contextualização de cada problema em particular, todos eles relatam semelhança entre si que pode ser resumida através de uma palavra-chave: SEPARAÇÃO. A separação de povos vizinhos (sobretudo com os muros evidenciados nos vídeos) nem sempre vem acompanhada de justificativas plausíveis nem de fatores visíveis, existindo em muitos casos razões ocultas (dos Estados) que acabam prevalecendo frente à defesa da criação de muros (barreiras) nas fronteiras. Fatores econômicos, temas preconceituosos, medo do terrorismo, são alguns dos temas que permeiam tal discussão. É fato que fronteiras desprotegidas são um campo livre para a entrada de drogas, contrabando, terrotistas, etc.. Assim como a criação de muros com intuito de separação entre povos pode esconder quesitos que vão além da proteção de um território contra a ação de bandidos. Sem dúvida trata-se de um tema polêmico, o qual encontrará tanto simpatizantes quanto indivíduos contrários à criação de muros.

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18/07/2018

Cidades em conflito e tipologia de território



O texto de Feltran, denominado "Conflito urbano e gramáticas de mediação", expõe questões sobre o conflito social na vida urbana. Pontos chaves do texto - como o capitalismo dominante e a concentração de riquezas- ajudam a moldar o entendimento sobre conflitos urbanos, tais como violência urbana, mundo do crime (força do PCC como exemplo) e questões que versam sobre segurança pública. A mobilidade campo-cidade, feita pela população rural em busca de melhoria de vida não foi a solução, assim como a aposta brasileira no trabalho assalariado (até os anos 80). O que se viu foi um aumento da população urbana sem o acompanhamento ideal do Estado no sentido de se oferecer um cenário com infraestrutura básica, com segurança, urbanização, acesso a serviços básicos de saúde, assim como moradia digna.
Já o texto de Fernandes, "Sobre a tipologia de territórios", cita o território como espaço de governança, onde surge a subalternidade dos territórios, expondos dominantes e dominados. Daí aparecem as conflitualidades derivadas do efeito da dominação, expondo as diferenças entre classes sociais. Em comparação com o texto de Feltran, percebe-se que ambos os textos mantêm como ponto importante nesse contexto os territórios de pobreza, fazendo uma correlação entre as ideias e as questões principais que englobam o cenário dos conflitos urbanos.  
O fotógrafo Johnny Miller tentou mostrar a desigualdade social em zonas urbanas através de fotos registradas através de um drone. Vale a pena conferir.

Rudney Guimarães

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14/07/2018

Fundamentando nossas vidas

Resultado de imagem para interação social
Baseada no texto de Baumann, no capítulo entitulado "Observação e sustentação de nossas vidas" (do livro Aprendendo a pensar com a sociologia), a aula do dia 28/06/18 debateu temas como interação, distância social, lugares, identidades, dentre outras citações que ajudaram a analisar um pouco sobre a vida e os relacionamentos. Sobre os relacionamentos, os níveis de encontro são base para determinar as pessoas que nós conhecemos e os laços que as mantêm ligadas a nós, estabelecendo uma ordem de interação. É um mode de ver a relação entre NÓS e ELES. Os LUGARES abragem conteúdos funcionais, propósitos, mas também não significam necessariamente um ambiente de interesse nas pessoas. Eles podem destacar ainda mais o quesito DISTÂNCIA SOCIAL, com o continuum e sua linha imaginária, muitas vezes gerando fronteiras (negativas ou positivas). Em sala, uma das frases do texto e expostas para o debate foi a seguinte: "O território de espaços urbanos compartilhados é dividido em áreas nas quais é mais provável encontrar um tipo de pessoa do que outros". A frase mostra bem a questão da divisão feita por LUGARES, onde as fronteiras - mesmo que invisíveis - estão presentes, separando uns de outros, seja pela questão social, racial. 
Por fim, dois vídeos foram exibidos em sala. No primeiro vídeo é colocado em pauta o relato de três imigrantes angolanos, onde eles expõe a visão de cada um - como refugiados - em relação ao tratamento dado a eles no Brasil e de como é difícil ser estrangeiro no país. O segundo vídeo, entitulado como "1 negro em 100"  mostra o debate sobre cotas raciais feito dentro de uma sala de aula da USP, quando então ocorre uma discussão por conta de que alunos e professor não concordavam que tal debate fosse feito em horário de aula.

Rudney Guimarães

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Onde está o crédito das ciências humanas?

Há um questionamento sobre a credibilidade das ciências humanas, ou sendo mais enfático, do seu descrédito frente à sociedade acadêmica e às demais ciências. Tal cenário chega a provocar um mal-estar dentro do próprio campo das ciências humanas, pois, internamente existe a certeza da importância desta ciência para a sociedade. Entretanto, o descrédito chega a um patamar tão negativo que áreas como a psicologia e a economia cogitam a saída do campo das humanidades. Mas por que tamanha falta de credibilidade? Na verdade não tem a ver com falta de importância do campo das humanidades. Muito pelo contrário! Trata-se de uma ciência que tem o homem como tema, como objeto de pesquisa, que carrega a responsabilidade de estudar a sociedade e as mediações entre os indivíduos. Os fatores econômicos surgem como elementos importantes nesse cenário de decepção. Afinal, trata-se de um campo (o das humanas) que não traz retorno financeiro. Sendo assim, quem irá assumir um investimento para a realização de pesquisa do campo das ciências humanas? Isso também ajuda a explicar o panaroma que mostra o seu descrédito, mas não tira a sua importância na sociedade civil e acadêmica.

Rudney Guimarães

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Senso comum X senso crítico

A atitude científica vai contra o senso comum, o qual está largamente familiarizado com a população de uma forma geral - e vice-versa. Isso quer dizer que se de um lado há a certeza cotidiana, do outro há o conhecimento científico. É o senso comum versus o senso crítico (kritikus). A ciência desconfia, e, a partir daí, busca respostas através de um campo objetivo, quantitativo e homogêneo, ultrapassando os problemas e obstáculos que surgem pra ela nesse processo. A sua construção da verdade se dá através de métodos, por meio de teorias formuladadas e delimitação e definição de fatos - é a teoria científica. 
Já o senso comum se baseia em subjetividade. É criado através de hábitos familiares, preconceitos e tradições. Quantos não passaram anos tendo a crença de que manga com leite faz mal?
-se um imaginário popular através de uma afirmação puramente criada pelo povo em algum momento da história. Assim como outras tantas afirmações que não condizem com a verdade, ou, pelo menos, abre brecha para questionamentos a respeito da veracidade das mesmas. Consideremos então que o senso comum se dá pela fé, enquanto que o conhecimento científico se dá pela razão.
Segue um vídeo exibido em sala de aula que fala sobre conhecimento científico X senso comum.

Rudney Guimarães

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08/07/2018

A importância de um blog

Por que criar um blog?
A criação de um blog tem um sentido próprio e bem diferente de uma rede social qualquer, pois vai além da ideia de se ter um meio de se relacionar com as pessoas. O blog dá a possibilidade de expor textos que debatem fatos, estudos - e tudo mais que se desejar -, dando opotunidade ao leitor que o visita. Os blogs dão a possibilidade de acesso a temas com as mais diversas temáticas, sejam no campo acadêmico ou não, oportunizando acesso a boas postagens, as quais servem como combustível para atiçar o intelecto em busca de uma reflexão sobre determinado tema. Além do mais, um blog pode servir também de diário de bordo, criando a história de um caminho percorrido. E, o mais importante, ele tem também a característica de possibilitar o acompanhamento e análise de trabalhos  expostos por colegas, professores, anônimos, etc... Tudo isso objetivando o compartilhamento do conhecimento, dando "a deixa" para o surgimento de reflexões, opiniões e debates por parte dos leitores - fugindo um pouco do que tradicionalmente se vê em outros tipos de redes sociais (como as que focam mais no entretenimento).

Rudney Guimarães

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O perigo de uma história única


Na aula de abertura do CC Campo das humanidades - saberes e práticas, em 07/06/18, quando houve a apresentação do componente e do plano de curso do mesmo, ocorreu também a exibição de um vídeo da escritora nigeriana Chimamanda Adichie (link do vídeo). No vídeo, entitulado de "O perigo de uma história única", a escritora (que se apresenta como uma contadora de histórias) expõe um discurso no qual ela relata, através de sua experiência de vida, como se dá a criação de uma história única, e de como isso é perigoso e pode criar uma imagem errônea de um povo, de uma nação. Chimamanda relata sua identificação com os livros que lia na infância, e deixa evidente que sua formação se deu através de estereótipos que ela tinha acesso. Então suas próprias histórias continham os mesmos personagens estereotipados que ela estava acostumada a ver/ler. A partir do momento em que ela teve contato com literatura de seu país, ela percebeu que sua própria história também poderia ser contada e que os personagens do local onde vivia teriam espaço nas literaturas, mostrando a todos a verdadeira imagem de seu povo. A superficialidade se torna presente neste panorama em que apenas um tipo de história predomina - a respeito de uma população. Os estereótipos incompletos são pontos extremamente negativos, pois eles ajudam a criar uma falsa história. A importância da história acaba tendo um abalo ocasionado pela "falsa história" contada. Isso ocorre não apenas com Chimamanda. Os estereótipos estão em todo lugar, sendo criados a todo instante, determinando inverdades e maquiando realidades.

Rudney Guimarães

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14/06/2018

UFSB


Retomando o blog que há algum tempo está sem atualização. 
Este tópico vem indicar o início de algumas postagens referentes aos conteúdos apresentados no componente curricular CAMPO DAS HUMANIDADES: SABERES E PRÁTICAS. O componente faz parte da grade curricular do curso de Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades.

Campus Jorge Amado (CJA)
Universidade Federal do Sul da Bahia
Itabuna-BA



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