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Sunday, August 23, 2009

Tecnologia traz...versatilidade


A cada dia que passa a tecnologia nos traz algo inovador e interessante. É verdade que estamos cientes de que podemos ser surpreendidos por ela - a tecnologia - a qualquer momento, mas um novo aparato tecnológico sempre nos faz refletir e pensar como as coisas mudam de forma cada vez mais rápida. Uma novidade que já se faz presente na sociedade são os 'livros que falam'. São obras literárias que acabaram ganhando versões em áudio, chamados audiolivros.

Apesar de ser algo novo, o Ibope informa que cerca de 3 milhões de pessoas já experimentaram essa nova forma de apreciar uma obra literária. Só existem 500 obras em português, as quais algumas são narradas por atores famosos como Antônio Fagundes e Cristiana Oliveira. Algumas editoras de audiolivros usam a estratégia de mudar o locutor a cada capítulo para prender a atenção do ouvinte. Em Iracema, de José de Alencar, foram colocados trilhas sonoras.

As obras em áudio possuem um valor bem abaixo dos livros - um ponto positivo - e estão disponíveis em diversos sites. O interessado compra o download e recebe o audiolivro por email após confirmação de pagamento. Existem obras que podem ser baixados de graça, como 'A igreja do diabo', de Machado de Assis (disponível em universidadefalada.com.br).

A principal justificativa para o surgimento dessa novidade é a adequação à correria do dia-a-dia das pessoas. A falta de tempo sempre é um argumento para a ausência de leitura do cotidiano das pessoas. Apostando nesse novo estilo - sem dúvida versátil - é que os audiolivros chegam como uma nova forma de 'leitura'. Mas o prazer de se ouvir uma obra literária se equipara ao de ler o livro? Mais importante que essa pergunta é saber se a atenção dedica ao áudio será a atenção necessária para se entender a obra. Como a inovação procura beneficiar os apressadinhos ou pessoas sem tempo, fica aí a dúvida se o entendimento seria o mesmo se ao invés de alguém andar/dirigir/correr ouvindo a obra simplesmente sentasse e dedicasse um tempo à leitura. Sabe-se que é necessário concentração e atenção para exercer uma leitura.

De qualquer forma, trata-se de algo bastante interessante e que sem dúvida serve como um atrativo para as pessoas que gostam de literatura, tanto os que não tempo como os que dispõem dele. Afinal, toda e qualquer forma de comunicação deve ser recebida ao primeiro instante de forma apreciativa, pra daí então, servirem ou não para o consumo de cada indivíduo. Fica aí a dica.

Rudney Guimarães

Friday, August 14, 2009

Tiroteio


Um assunto que gerou grande repercussão esta semana foi a briga entre a Globo e a Record. Talvez nem todo mundo saiba, mas essa briga não está se iniciando agora. A troca de farpas entre as duas emissoras já vem acontecendo há alguns anos. Agora a briga se acirrou novamente e o bombardeio de ofensas e acusações estão indo de um lado a outro numa tentativa de denegrirem a imagem da emissora rival diante da população.

Em 2007 a revista Veja publicou em sua matéria de capa a briga entre as duas emissoras de TV. Edir Macedo deu entrevista pra revista, e questionado sobre um possível emparelhamento da Record com a Globo, ele disse: "Não vamos só emparelhar. Vamos passar a Globo. Esse dia não está longe. A Globo tem medo." Num discurso agrassivo, Edir Macedo se disse perseguido pela emissora Global, sem citá-la nominalmente: "Fomos injustiçados por muitos anos por um grupo de comunicação que tinha e mantém o monopólio da notícia no Brasil. Daí nosso desejo de dar fim a esse monopólio".

A Globo acusa a Rede Record de ser beneficiada pelo dízimo dado pelos fiéis da Igreja Universal, uma vez que entidades religiosas são isentas de taxas tributárias. Mas o dinheiro recebido na igreja não pode ser investido em nada que gere lucro, como uma emissora de TV. Em nota, a Globo disse:
"Esse ataque leviano não chega a ser surpreendente: é de se esperar que um grupo que lucra pela manipulação da fé religiosa queira também manipular a opinição pública." Além disso, nos últimos dias foram exibidas várias reportagens acusando membros da Igreja Universal de lavagem de dinheiro e muitas outras transações ilegais envolvendo grandes valores.

Já a Rede Record respondeu alegando que nenhuma acusação tem veracidade. A emissora aproveitou para também atingir a Globo. Com imagens de arquivo, a Record questionou o crescimento da Globo com acusações de desvio de dinheiro público. Logo depois a Record questionou o tempo em que a Globo dedicou em seus telejornais pra atacá-la e que a mesma, desrespeitou a fé religiosa das pessoas ao entrar na Igreja Universal com uma câmera escondida pra filmar as contribuições dos religiosos da igreja.

Em relação ao constante falatório em torno da Igreja Universal, cabe ressaltar que os fatos sobre ela citados não generalizam englobando demais igrejas existentes no país. Inclusive, membros religiosos de outras igrejas já criticaram a Igreja Universal. O pastor Silas Malafaia, da Igreja Assembléia de Deus se pronunciou em respeito à Igreja Universal e a sua relação com a emissora Record, criticando o que ele citou de "guerra de TV's". Malafaia desabafou dizendo: "Como é que uma igreja investe milhões numa TV só pra ganhar audiência? Todo tipo de imoralidade numa TV bancada com dinheiro de oferta e de dízimo?" E continuou sua crítica dizendo que eles estão perdendo o foco.

Outro capítulo que faz parte da constante briga entre as duas emissoras é a constante suspeita de espionagem. A Globo insiste em dizer que a Record tenta copiar a emissora 'descaradamente'. Em 2008 a Globo descobriu um espião que passava informações à Record sobre a área técnica, figurino e cenário da emissora global. Já neste ano, a Globo acusou a Record de piratear imagens da Fórmula 1, escondendo a sua marca d'agua (Globo) colocando a logo da emissora (Record) por cima.

Mas qual o motivo das brigas entre Globo e Record? É fato que a Record anda incomodando a Globo, analisando o fator audiência. Diferentemente do SBT, a Record sonha em destronar a toda poderosa Rede Globo, e vem investindo pesado pra isso. A Record, inclusive, já deu uma rasteira na Globo, conseguindo os direitos de transmitir os jogos olímpicos de 2012. O desejo de Edir Macedo é terminar (como ele mesmo diz) com o monopólio da informação exercido pela Globo.

Sem dúvida o monopólio da informação é ruim, é algo que aliena, influencia, forma opinião e não dá brecha pra questionamentos, interpretações e tampouco traz ao público as informações como elas deveriam ser veiculadas. Nesse tiroteio todo, o público se vê diante das agressões munidas de denúncias entre a Globo e Record. Não estou aqui pra defender e/ou - também - acusar uma ou outra emissora. Aqui apenas se faz presente um resumo de tudo que foi veiculado pela mídia até agora. Cabe ao Ministério Público apurar todas as denúncias pra constatar a veracidade de cada uma delas. E que ao final, que sejam punidos os que de fato merecerem e, principalmente, que o povo brasileiro tenha conhecimento da forma mais límpida e transparente possível, da verdade dos fatos, de quem tem ou não razão, de quem agiu ou não de má fé, e de quem fez e faz a população de boba através do poder da comunicação.

Rudney Guimarães


Tuesday, June 30, 2009

Uma grata surpresa



Muito se questiona sobre a qualidade da programação televisiva brasileira. É verdade que existem muitos programas onde a qualidade é um conteúdo inexistente. Paralelo a isso, vez em quando surgem alguns programas que acabam trazendo de forma interessante e inteligente, um bom conteúdo ao telespectador. É o caso do programa da TV Bandeirantes, CQC - custe o que custar. Baseado numa versão argentina, o CQC estreou em março de 2008 e desde então vem obtendo bons resultados no que diz respeito à audiência, tendo boa receptividade por parte dos telespectadores.

Comandando por Marcelo Tas, o CQC vez conseguindo bons níveis de audiência, graças à irreverência dos 7 homens vestidos de terno preto. Além de Tas, fazem parte da equipe Rafinha Bastos, Marco Luque, Danilo Gentili, Felipe Andreoli, Rafael Cortez e Oscar Filho. O programa aborda os fatos mais relevantes da semana, fazendo humor e crítica ao mesmo tempo. Um tema bastante citado no programa é a política. A forma com que a turma do CQC trata o assunto acaba atraindo até pessoas que não gostam do cenário político.

O CQC aplica uma fórmula que vem fazendo sucesso. A união entre humor e crítica acaba sendo um atrativo. O talento dos apresentadores faz com que eles consigam fazer boas matérias, com um humor ácido, divertido e inteligente. Porém, em certos momentos ocorrem comentários que acabam provocando ira em certas pessoas. O programa já foi jurado de ser levado à justiça por diversas pessoas. Só pra citar, a atriz de filme adulto, Pamela Butt e o grupo Sexy Dolls Brasil já manifestaram desapontamento com o CQC, alegando terem sido desrespeitadas com termo impróprio, tendo em vista que elas são atrizes pornôs. Isso demonstra que em meio à diversão e entretenimento, podem ocorrer deslizes que resultam em consequências indesejáveis.

Constante alvo do CQC, os políticos vêm sofrendo com as investidas dos homens de preto. Em visitas feitas ao Planalto em Brasília, a turma do CQC resolve entrevistar os políticos, e acabam fazendo perguntas sobre diversos temas como política, economia e negócios da atualidade. Ou seja, coisas que eles, os políticos, deveriam estar informados. Aí o telespectador começa a ver como muita gente que está por lá não sabe de absolutamente nada que ocorre no mundo nos tempos atuais. E pior, alguns políticos demonstram total falta de conhecimento de leis que eles próprios criaram e aprovaram.

O CQC está dando tão certo, que a Rede Bandeirante planeja licenciar produtos com a marca do programa. No início não havia patrocínio, e hoje o programa já conta com várias empresas, que aparecem em suas vinhetas. Sem dúvida, o programa CQC é uma grata surpresa nos últimos tempos na televisão brasileira. Resta saber se seu sucesso se manterá por muto tempo, e/ou se seu tipo de humor se tornará ultrapassado. Cabe ao CQC não perder o ritmo, manter boas entrevistas, e aplicar com inteligência o humor característico de Marcelo Tas e Cia.


Rudney Guimarães

Friday, June 12, 2009

Mais tempo no ar


O apresentador Fausto Silva acertou renovação de contrato com a Rede Globo por mais 8 anos, prolongando até 2017 a permanência do seu programa Domingão do Faustão. O programa dominical é o maior faturamento da Globo. O salário do apresentador está na casa dos 5 milhões, e ele ainda tem percentual sobre o faturamento do programa.

No mês de março, o Domingão completou 20 anos no ar. Ao longos de sua trajetória, o programa obteve altos e baixos, mas a sua fórmula vem dando certo até hoje. Em entrevista no mês de abril, Faustão falou sobre o segredo de manter-se por tanto tempo no ar. "Não é fácil. Para quem quer boa informação e não tem nenhum tipo de preconceito, este é um bom negócio. É preciso abranger todas as classes e entreter o público do domingo, que é um dia chato. O segredo é renovação constante e satisfação permanente", disse o apresentador.

Ao analisar a declaração de Faustão, há coerência entre o que ele disse e o que se passa em seu programa? Sabe-se que não se trata de um programa de informação. O Domingão é um programa que procura entreter o telespectador, o qual optou em ficar em casa no domingo. O observador mais crítico, ao assistir o programa, poderá contestá-lo, achar que o mesmo não acrescenta em nada ao intelecto daquele que o assiste. Então por qual(is) motivo(s) Faustão consegue manter seu programa até hoje no ar?

Um dos motivos já foi citado acima: o faturamento que a Globo consegue com o Domingão. Outros motivos poderão ser buscandos nos seus quadros. Como a emissora investe pesado na dramaturgia, o programa do Faustão exibe famosos em seus quadros. Outra tática adotada pelo Domingão é receber artistas para falarem de seus personagens nas novelas em que atuam. Isso de certa forma já atrai a audiência que até então, seria apenas da novela. Talvez no sentido psicológico esteja uma possível explicação para o fato de se obter sucesso, mesmo não tendo quadros elogiados pelos críticos. O fato de ser um programa no dia de domingo, pode se aliar ao relaxamento das pessoas nesse dia. Por se tratar de um dia de descanso, muitas pessoas tentam 'aliviar' a mente vendo TV, e talvez não suportariam ver algo extremamente sério, importante, pedagógico numa tarde de domingo. Mais fácil ver algo que possam lhes tirar ao menos um sorriso. Isso pode ser uma explicação, mas não uma justificativa.

De certo que há coisas fúteis na TV, embora essas coisas acabem obtendo resultados positivos na busca de audiência. E é exatamente isso que a televisão quer: audiência = retorno financeiro. A qualidade dos programas vem em segundo, terceiro, talvez quarto plano. O fato é que alguns quadros do Domingão acabam atraindo os telespectadores. Cabe ressaltar que com qualidade ou não, o Faustão está sempre lançando quadros novos, envolvendo artistas conhecidos, e até pessoas que tentam chegar ao patamar de famoso. Desta forma, odiado ou amado, Faustão vai se firmando de domigo em domingo na programação Global.

Rudney Guimarães

Monday, May 18, 2009

Golpe baixo?


No dia 27 de fevereiro, a TV Diário, emissora Cearense que faz parte da TV Verdes Mares, que é afiliada à Rede Globo de televisão, teve seu sinal na antena parabólica cortado. Os nordestinos residentes em todo o território nacional sofreram um duro golpe com a retirada da TV Diário do ar. O motivo foi o incômodo que a rede Globo sentiu após ver a emissora nordestina atingir boa audiência.

Uma justificativa para a retirada do sinal foi o argumento de que a TV Diário trata-se de uma emissora comunitária, e que não estaria então, regularizada a ponto de ser exibida em nível nacional. Porém, segundo diversos jornais nordestinos, o que houve foi uma imposição de poder da Rede Globo. Incomodada com o sucesso da TV Diário, que estava batendo a audiência global em diversos horários, a Globo pressionou e retirou o sinal via satélite da emissora Cearense.

Se o argumento de que a perda de audiência foi mesmo o motivo para a decisão tomada pela Globo, fica claro e evidente a volta da CENSURA, dessa vez respaldada pelo poder que a Globo possui. Tá certo que a TV Diário pertence à uma rede afiliada da Globo, mas seria essa uma decisão justa a ser tomada? Não foi (e não é nenhuma surpresa) levanda em conta a opinião da população que usufruía do canal cearense. O telespectador tem o direito de fazer o zapping quando está de posse do controle de TV. E consequentemete tem o direito também de parar no canal que desejar.

Não cabe aqui ressaltar a qualidade - ou a falta dela - da programação da TV Diário. Mas sim o fato de que trata-se de uma emissora que une toda uma região. Nordestinos residentes em toda a parte do país, em especial na Região Sudeste, viam na TV Diário uma forma de matar a saudade de suas origens. Presenciavam aquilo que é familiar, que atendia as suas vontades, seus anseios, através das peculiaridades do seu povo, tão presente na programação da emissora. Em diversos programas, os apresentadores mantinham o sotaque regional, aproximando-se mais do seu público, os nordestinos (em especial os Cearences).

Contudo, numa briga de audiência, o que seria óbvio numa provável decisão a ser tomada por qualquer emissora? Melhorar sua programação. A Rede Globo poderia então, colocar no(s) horário(s) em que supostamente estava perdendo audiência, programas capazes de reverter o quadro negativo. Seria o momento de rever a linha de sua programação e proporcionar pros seus telespectadores, algo que lhe trouxesse de volta aquilo que lhe interessa. Porém, mais importante que isso, seria uma programação que aliasse educação, cultura e entretenimento, resultando numa programação digamos, sadia, que acrescente algo ao intelecto de quem está recebendo a mensagem.

Vale lembrar que a TV Diário não possui novelas em sua programação. O trunfo da emissora trata-se justamente em mostrar as peculiaridades de sua região, de seu povo. Com uma programação capaz de educar/acrescentar, ou não, o fato é que a TV Diário servia de integração para um povo afastado geograficamente e que via na emissora, uma forma de ficar mais perto das suas culturas, suas raízes.

Agora, graças à decisão abusiva da Globo, a TV Diário é uma emissora local, tendo seu sinal restrito à area regional de captação, que abrange algumas cidades do Ceará. E ao que parece, a TV não voltará a ser exibida em todo o Brasil. Lamentável para os nordestinos.

Se a TV Diário não tivesse tendo bons níveis de audiência, a Globo teria tomado tal atitude?

Rudney Guimarães

Thursday, May 07, 2009

Espetacularização. E exagerada!


Na TV a espetacularização é uma arma para se obter audiência. Diversos programas apelam para este artifício buscando atrair o público. Tais programas geralmente são de baixa qualidade, e que paralelamente possuem um enorme poder de persuasão. Seguindo essa linha, o programa Na mira, da TV Aratu, afiliada do SBT, é um dos que adotam esse tipo de linguagem que possue boa audiência.

No mês passado, diversas organizações sociais de Salvador fizeram algumas reivindicações. Em pauta, o pedido de que fosse tirado do ar o programa Na mira. O motivo alegado foi que o programa estava desrespeitando os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. Porém, antes que o programa fosse retirado temporariamente do ar, os diretores da TV Aratu foram até o Ministério Público e pediram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC). E conseguiram, o que fez com que o programa não tivesse sua veiculação proibida, desde que se adequasse aos princípios e exigências costantes na Constituição Brasileira.

Sabe-se que uma grande massa receptiva, não tem a capacidade necessária para fazer uma análise crítica daquilo que veem na TV. A maioria alienada, recebe tudo sem ao menos perceber direito a verdadeira mensagem que está sendo transmitida pra ela. Mas claro que existem as exceções, como neste caso relatado acima. Os autores das reivindicações acusam o programa de condenar as pessoas de forma antecipa, principalmente os negros. Aliás, o formato do programa acaba induzindo a opinião pública a ter essa conclusão. De que os indivíduos mostrados nas reportagens são culpados até provarem o contrário, numa inversão do que realmente a constituição aborda e define.

A maneira como diversos programas são produzidos, visa a busca incessante de audiência. Quanto maior o espetáculo, melhor, mais audiência. Pouco se absorve de positivo, que estimule o raciocínio, que traga além da informação, uma boa fonte que possibilite um acréscimo ao intelecto de uma pessoa. Há uma carência de cidadãos que saibam analisar e criticar a mídia. Mas os que sabem fazer essa análise, devem lutar pra que as coisas mudem. Só assim irão surgir situações como essa que envolveu o programa 'Na mira' e consequentemente isso ajudará pra que a veiculação de algum programa de TV seja coerente no que diz respeito ao horário adequado para se mostrar algo. Além da questão do formato adotado nas exibições de determinado programa, bem como o seu conteúdo.

Rudney Guimarães

Wednesday, April 22, 2009

Pra quê serve uma tomada?



Em meio a tantas novidades tecnológicas que aparecem diante de nossos olhos no decorrer dos dias, eis que surge mais uma novidade. Na busca pela popularização da internet banda larga, a Agência nacional de Telecomunicações, a ANATEL, autorizou o acesso à internet por meio de rede elétrica. A 'internet pela tomada' já vem sendo testada em São Paulo desde 2007 e agora aparece como o mais novo meio de acesso à grande rede via banda larga.

O novo sistema é chamado de Broadband Powerline (BPL), e permitirá o acesso à internet através de um modem especial, que será colocado em qualquer tomada dentro de casa. A conexão se dará através de um cabo de fibra ótica na rede elétrica. Para que as demais conexões de energia dentro da casa não interfiram na conexão (como ao ligar um liquidificador), a ANATEL exigiu em nota, a obrigatoriedade de filtros, que são capazes de atenuar as radiações indesejadas.

Sem dúvida, essa nova tecnologia chega para beneficiar a maior parte da população brasileira, tendo em vista que aproximadamente 95% dos lares no Brasil possuem rede elétrica. Isso poderá beneficiar principalmente os locais mais distantes, onde as redes telefônicas ainda não chegam com certa intensidade, e por isso há uma certa dificuldade em se disponibilizar internet. Trata-se de um grande passo para que o acesso à internet banda larga seja cada vez maior.

O outro lado da inclusão

Essa crescente mudança tecnológica, acompanhada de inclusão digital, faz com que os indivíduos mais atentos percebam algumas coisas. Com um número cada vez maior de pessoas - principalmente adolescentes e jovens - acessando a internet, nota-se também outro fator bem mais importante. Quem acessa espaços públicos virtuais, percebe em comentários postados por internautas, diversos erros de escrita. Isso faz pensar o seguinte: a inclusão digital (por meio das novas tecnologias) está à frente da educação no quesito prioridade? O ritmo das novas tecnologias está bem mais avançado que o ritmo dado à educação? Estariam os jovens e adolescentes preparados para fazer uso das novas tecnologias?

Pois bem. Nessas horas em que somos agraciados pela tecnologia, ao mesmo tempo vemos que o Brasil tem muito a melhorar, melhorar na educação. Enquanto a banda larga vai rompendo fronteiras e chegando cada vez mais longe, nos deparamos com notícias em telejornais mostrando alunos que andam quilômetros a pé para estudar. É notório o fato do Brasil ser um país de contradições, onde algumas coisas desagradáveis são encobertas por outras mais agradáveis.

O texto aqui em destaque não está criticando a criação da internet via energia elétrica. Trata-se de uma grande notícia, e sem dúvida irá beneficiar muita gente. Mas deve-se olhar o fato de que as pessoas que irão ter acesso à intenet - em alguma parcela - não têm uma formação escolar digna de quem está particpando de uma comunicação coletiva. Ou seja, é como se uma pessoa estivesse pulando etapas. Pois para saber se comunicar é preciso antes de tudo saber escrever, saber interpretar. Em muitos casos, uma pessoa sem a devida instrução não sabe como lidar com essa ferramenta chamada internet. Talvez isso explique o acesso à grande rede para se fazer coisas erradas e/ou fúteis.

Fica aqui registrado o aparecimento dessa nova conexão à internet, via energia elétrica. E também fica registrado, o lembrete de que o surgimento de novas tecnologias, de novos meios de comunicação, assim como a inclusão digital são importantes. Mas nada é mais importante do que a alfabetização, a atenção à educação , à formação do indivíduo. Seria preocupante pensarmos em uma população que sabe trilhar pelos caminhos da internet, mas não sabe ao menos escrever corretamente. Não é?

Que bom seria se o nível escolar da população fosse tão grande quanto a velocidade em que as novidades tecnológicas aparecem.

Rudney Guimarães